Saltar para menu de navegação principal Saltar para conteúdo principal Saltar para rodapé do site

O Método Clínico e a Relevância da Psicanálise no Contexto Acadêmico e Científico

Resumo

A psicanálise, desde sua formulação, desafia os paradigmas científicos dominantes ao propor um método que prioriza a singularidade do sujeito, contrastando com a generalização das ciências naturais. Este texto analisa a relação complexa entre a psicanálise e a ciência, destacando as tensões epistemológicas no âmbito acadêmico. Explora como o modelo experimental galileano e o positivismo lógico moldaram a visão de cientificidade, destacando sua inadequação para a psicanálise, que se baseia em um método clínico. Argumenta-se que a psicanálise mantém sua relevância, enquanto reafirma a sua autonomia epistêmica. O texto propõe uma epistemologia que valorize a incompletude, indo além das limitações do paradigma naturalista para abarcar a especificidade e as contribuições únicas da psicanálise no campo do saber.

Palavras-chave

Psicanálise, Epistemologia, Método Clínico, Paradigma Indiciário, Singularidade

PDF

Biografia Autor

Alexandre James Ferreira

Doutor em Psicologia pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), Brasília, DF, Brasil. Mestre em Psicologia pela mesma universidade. Graduado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).


Referências

  1. Aguiar, F. (2001). Método clínico: método clínico? Psicologia: Reflexão e Crítica, 14(3), 609-616. https://doi.org/10.1590/S0102-79722001000300016
  2. Aguiar, F. (2006). Questões epistemológicas e metodológicas em psicanálise. Jornal de Psicanálise, 39(70), 105-131.
  3. Almeida, S. F. C. (2006). Transmissão da psicanálise a educadores: do ideal pedagógico ao ideal da (trans)missão educativa. Estilos da Clínica, 11(21), 14-23.
  4. Châtelet, F. (1994). A ciência da natureza. In Châtelet, F., Uma história da razão: entrevistas com Émile Noël (pp. 51-69). Jorge Zahar Editor Ltda.(Obra original publicada em 1992)
  5. Coutinho, D. M. B., Mattos, A. S., Monteiro, C. F. A., Virgens, P. A., & Almeida Filho, N. M. (2013). Ensino da psicanálise na universidade brasileira: retorno à proposta freudiana. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 65(1), 103-120.
  6. Erlich, H., & Alberti, S. (2008). O sujeito entre psicanálise e ciência. Psicologia em Revista, 14(2), 47-63.
  7. Ferreira, A. J. (2025). Da transferência à transferência de trabalho: vicissitudes do percurso em psicanálise [Tese de doutorado, Universidade Católica de Brasília]. Repositório da UCB. https://bdtd.ucb.br:8443/jspui/handle/tede/3659
  8. Filha, L. L. A. (2012). Psicanálise e universidade: questões sobre a formação do analista e o ensino na graduação em psicologia. Revista Psicologia, 1(1), 55-64. https://doi.org/10.17267/2317-3394rpds.v1i1.40
  9. Fonteles, C. S. L., Coutinho, D. M. B. & Hoffmann, C. (2018). A pesquisa psicanalítica e suas relações com a universidade. Revista Ágora, 21(1), 138-148. https://doi.org/10.1590/1809-44142018001013
  10. Freud, S. (2015). O delírio e os sonhos na Gradiva de W. Jensen (P. C. de Souza, Trad.). In P. C. de Souza (Org.), Obras completas (Vol. 8, pp. 13-122). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1907)
  11. Freud, S. (2015). Análise da fobia de um garoto de cinco anos (P. C. de Souza, Trad.). In P. C. de Souza (Org.), Obras completas (Vol. 8, pp. 123-284). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1909)
  12. Freud, S. (2010). Recomendações ao médico que pratica a psicanálise (P. C. de Souza, Trad.). In P. C. de Souza (Org.), Obras completas (Vol. 10, p. 111-122). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1912)
  13. Freud, S. (2012). O Moisés de Michelangelo (P. C. de Souza, Trad.). In P. C. de Souza (Org.), Obras completas (Vol. 11, pp. 272-298). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1914)
  14. Freud, S. (2014). Os atos falhos (P. C. de Souza, Trad.). In P. C. de Souza (Org.), Obras completas (Vol. 13, pp. 18-108). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1916)
  15. Freud, S. (2014). Teoria geral das neuroses (P. C. de Souza, Trad.). In P. C. de Souza (Org.), Obras completas (Vol. 13, pp. 324-613). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1917)
  16. Freud, S. (2018). Construções na análise (P. C. de Souza, Trad.). In P. C. de Souza (Org.), Obras completas (Vol. 19, pp. 327-344). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1937)
  17. Freud, S. (2018). Moisés e o monoteísmo (P. C. de Souza, Trad.). In P. C. de Souza (Org.), Obras completas (Vol. 19, pp. 13-188). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1939)
  18. Ginzburg, C. (1989). Sinais: raízes de um paradigma indiciário. In Ginzburg, C., Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história (2.ª ed., pp. 143-180). Companhia das Letras.
  19. Goodwin, C. J. (2010). História da psicologia moderna. Editora Pensamento-Cultrix Ltda. (Obra original publicada em 2005)
  20. Jorge, M. A. C. (1987). Coleção: transmissão da psicanálise. In Jensen, W., Gradiva: uma fantasia pompeiana (pp. 3-4). Jorge Zahar Editor Ltda.
  21. Kupermann, D. (2009). Sobre a produção psicanalítica e os cenários da universidade. Universidade de São Paulo, 40(3), 300-307.
  22. Lacan, J. (1998). Situação da psicanálise e formação do psicanalista em 1956. In J. Lacan, Escritos (pp. 461-495). Jorge Zahar Editor Ltda. (Obra original publicada em 1956)
  23. Lacan, J. (2003). Carta de dissolução. In J. Lacan, Outros Escritos (pp. 319-320). Jorge Zahar Editor Ltda. (Obra original publicada em 1980)
  24. Mezan, R. (2002). Sobre a epistemologia da psicanálise. In Mezan, R. Interfaces da psicanálise (2.ª ed., pp. 436-519). Editora Edgard Blücher Ltda.
  25. Motta, C. F. S. (2016). Transmissão da teoria na formação analítica. Jornal de Psicanálise, 49(91), 53-59.
  26. Rodrigues, A. C., Costa, C. A. R., Silva, M. E. A., & Silva, E. P. (2005). Psicanálise, saber e conhecimento. Revista do Departamento de Psicologia – UFF, 17(2), 99-108.
  27. Roudinesco, E. (2011). Lacan, a despeito de tudo e de todos. Jorge Zahar Editor Ltda.
  28. Rudge, A. M. (2012). Destinos do método clínico na contemporaneidade. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 15(3), 512-523. https://doi.org/10.1590/S1415-47142012000300005
  29. Sonada, K. C. L. (2018). O método psicanalítico e as condições da análise (e da pesquisa clínica): algumas recomendações. Revista aSEPHallus, 13(26), 90-112.
  30. Kuhn, T. S. (1998). A estrutura das revoluções científicas. Editora Perspectiva. (Obra original publicada em 1962)
  31. Vorsatz, I. (2015). O sujeito da psicanálise e o sujeito da ciência: Descartes, Freud e Lacan. Revista Psicologia Clínica, 27(2), 249-273.
  32. Zizek, S. (2010). Como ler Lacan? Jorge Zahar Editor Ltda. (Obra original publicada em 2006)