Revista Portuguesa de Psicanálise
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<p>A Revista Portuguesa de Psicanálise (RPP) é a publicação científica oficial da Sociedade Portuguesa de Psicanálise (SPP) e sua propriedade jurídica e intelectual.<br />eISSN: 2184-0016 | ISSN: 0873-9129 | ERC: 108631</p>Sociedade Portuguesa de Psicanálisept-PTRevista Portuguesa de Psicanálise0873-9129O Método Clínico e a Relevância da Psicanálise no Contexto Acadêmico e Científico
https://rppsicanalise.org/index.php/rpp/article/view/253
<p>A psicanálise, desde sua formulação, desafia os paradigmas científicos dominantes ao propor um método que prioriza a singularidade do sujeito, contrastando com a generalização das ciências naturais. Este texto analisa a relação complexa entre a psicanálise e a ciência, destacando as tensões epistemológicas no âmbito acadêmico. Explora como o modelo experimental galileano e o positivismo lógico moldaram a visão de cientificidade, destacando sua inadequação para a psicanálise, que se baseia em um método clínico. Argumenta-se que a psicanálise mantém sua relevância, enquanto reafirma a sua autonomia epistêmica. O texto propõe uma epistemologia que valorize a incompletude, indo além das limitações do paradigma naturalista para abarcar a especificidade e as contribuições únicas da psicanálise no campo do saber.</p>Alexandre James Ferreira
Direitos de Autor (c) 2026 Alexandre James Ferreira
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2026-07-222026-07-224619311410.51356/rpp.461a6Recensão ao livro Cinema & Psicanálise: diálogos
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Inês N. Lourenço
Direitos de Autor (c) 2026 Ines Lourenço
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2026-07-222026-07-2246111511710.51356/rpp.461a7Nota Editorial
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2026-07-222026-07-2246158O Enigma da Dor Crónica à Luz de um Clássico de G. Engel
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<p>A dor crónica não-oncológica tem representado um desafio à medicina curativa, com taxas de êxito terapêutico aquém do esperado apesar dos avanços da neurociência, da psicofarmacologia e das técnicas invasivas de abordagem. O presente artigo traz uma análise de um artigo clássico de George Engel, de 1959 – <em>Psychogenic pain and the pain-prone patient. </em>Para aquele autor, a experiência da dor é compreendida como um fenômeno psíquico em seu engendramento e, particularmente, no processo de seu reaparecimento e cronificação; isto significa que, em casos de dor crónica, a existência de tecidos periféricos inflamados ou lesados torna-se dispensável (e infrutífera sua busca pela medicina). O autor descreve as características clínicas de uma significativa parcela de pacientes – aos quais chama de <em>pain-prone</em> <em>patients</em> – para quem qualquer tratamento precisa atingir a instância psíquica onde a dor está inscrita, em vez de visar estruturas físicas/corporais periféricas. Os conteúdos abordados pelo autor, psiquiatra e psicanalista, tornam-se novamente atuais e trazem luz ao delineamento de um terceiro mecanismo subjacente aos casos de dor crónica, recentemente nomeado como ‘dor nociplástica’, e à atual categorização da dor crónica como doença primária pela 11ª. versão da Classificação Internacional de Doenças. </p>João Paulo Consentino Solano
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2026-07-222026-07-2246114517110.51356/rpp.461a9Os Deslocados e os Deslocamentos na Escuta
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<p>N/A</p>Maria Bibas Vianna
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2026-07-222026-07-22461203207Memórias e Pensamentos
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<p>N/A</p>Ana Sotto Mayor
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2026-07-222026-07-22461209212Viagem Interior
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<p>N/A</p>Marta Areny
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2026-07-222026-07-22461197201É em Nós que as Paisagens Têm Paisagem
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<p>N/A</p>Maria Antónia Carreiras
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2026-07-222026-07-22461213216Experiências Psicanalíticas para lá do divã
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<p>A clínica psicanalítica realiza-se habitualmente num contexto de consultório, usando o divã. Para além de um tratamento, a Psicanálise constitui-se como uma teoria sobre a dimensão psíquica do ser humano e um método de investigação. Será assim natural que se assista a um número crescente de intervenções psicanalíticas em diversos contextos, para além do consultório e do divã. Estas intervenções são muito importantes na formação e identidade do psicanalista. Neste artigo, proponho uma reflexão sobre três experiências psicanalíticas fora do consultório:</p> <ol> <li class="show">Linha Viral Solidariedade, uma linha telefónica criada pela Sociedade Portuguesa de Psicanálise no decorrer da pandemia, aberta à população em geral, na qual se procurava conter as ansiedades inerentes à situação traumática da pandemia.</li> <li class="show">O Psicanalista na Comunidade, uma experiência comunitária de apoio a pacientes psicóticos, na qual se evidencia a importância da compreensão do funcionamento psicótico e da contra-transferência.</li> <li class="show">Consultas no Cazaquistão a mulheres que foram raptadas durante a sua adolescência.</li> </ol>Tomás Miguez
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2026-07-222026-07-22461416610.51356/rpp.461a2Entrevista Thamy Ayouch
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Sandra Roberto
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2026-07-222026-07-2246117519310.51356/rpp.461a10Estados não representados e a necessidade de uma psicanálise transformacional
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<p style="font-weight: 400;">Gadinni (1984) e Bolognini (2020) apontaram que houve mudanças significativas nas manifestações psicopatológicas desde a época de Freud. Ambos os autores indicam que os estados borderlines e narcisistas são componentes das mudanças observadas nas manifestações psicopatológicas contemporâneas. Essas mudanças não alteraram a psicanálise em seu método ou processo, mas continuaram a levar o trabalho analítico além dos elementos reprimidos do inconsciente para um nível mais profundo que enfatiza a transformação de estados não representados e, portanto, mais sobre a criação de estrutura psíquica do que o acesso ao conteúdo reprimido. O processo transformacional enfatiza o trabalho com o paciente para criar novas estruturas psíquicas em áreas caracterizadas por vazios, reforçar estruturas psíquicas fracas que contribuem para distorções e, para que o aparato psíquico funcione de forma mais organizada. Este artigo tem como objetivo explorar o conceito de psicanálise transformacional como uma abordagem para trabalhar com estados não neuróticos em um contexto analítico pós-moderno, revisitando a ideia de representação de Freud e discutindo as perspetivas freudianas contemporâneas sobre estados não representados com um caso clínico. Além disso, o artigo propõe que, para se concentrar num modo mais transformacional, o analista precisa funcionar como o «Outro Operativo», conforme articulado por Freud na sua expressão «wirksamen anderen» (1916), seguido de um caso clínico.</p>Marcelo Gomes
Direitos de Autor (c) 2026 Marcelo Gomes
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2026-07-222026-07-22461113810.51356/rpp.461a1Tudo aquilo que absolutamente não se deve fazer
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<p>O campo analítico é um paradigma central da psicanálise contemporânea, mantendo continuidade com os modelos clássico, kleiniano e relacional, mas introduzindo uma inovação<span class="Apple-converted-space"> </span>técnica qualitativa: o foco na noção bioniana de <strong>transformação</strong>. A metáfora bússola do inconsciente, proposta pelo autor, posiciona a transferência, identificação projetiva, <em>enactment</em> e o campo analítico como pontos cardeais de orientação na decifração do inconsciente. O autor propõe a escuta gestáltica do “nós” com a expressão do funcionamento do campo que se gera na dupla analítica e onde o inconsciente é co?criado. O analista amplia funções psíquicas e vínculos, favorecendo a autenticidade emocional no par analítico, aceitando a participação do próprio inconsciente. O autor sugere alguns exercícios como forma de promover a espontaneidade no analista e consolidar a técnica de escuta do dialogo analítico. Segundo o autor, com a teoria do campo analítico, a escuta analítica deixa de ser um “pingue-pongue” entre os inconscientes do analista?paciente, amarrada a uma hermenêutica da desconfiança, para se tornar num “coro grego” onde analista e analisando sonham a sua existência, reforçando a escuta radical do “nós” no <em>a aqui e agora </em>de cada sessão.</p>Guiseppe CivitareseConceição Melo de AlmeidaBruno Ferreira
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2026-07-222026-07-22461697810.51356/rpp.461a3Será que alguma vez sabemos mesmo o que fazemos?
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<p>Comentário ao artigo de Giuseppe Civitarese.</p>Nelson Coelho Jr.
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2026-07-222026-07-22461798310.51356/rpp.461a4O Segundo Olhar do Psicanalista
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<p>Comentário ao artigo de Giuseppe Civitarese</p>Maria José Gonçalves
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2026-07-222026-07-22461858910.51356/rpp.461a5A História do Cipó
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<p>O objetivo deste artigo é realizar uma leitura etnopsicanalítica do mito <em>A história do cipó</em>, do povo Huni Kuin. Para a análise, consideramos a centralidade da sexualidade, a analogia entre sonho e mito e as associações do pesquisador. Adotamos o modelo freudiano de interpretação dos sonhos, que nos permitiu fragmentar a narrativa em partes com múltiplos sentidos e estabelecer correlações com outros mitos, conforme sugerido por Lévi-Strauss. No mito analisado, a serpente/jiboia e a anta aparecem como símbolos fálicos. A serpente é considerada pela psicanálise o principal símbolo fálico, enquanto a anta é representada como um amante atraente por possuir um grande pênis. Especificamente no caso do mito estudado, exploramos a ideia de que, diferentemente da sociedade ocidental, o ato sexual extraconjugal com estranhos não gera culpa, mas sim perigo. Também discutimos o complexo de Édipo e a aproximação entre “comer” e o “ato sexual” na relação entre o personagem Yube e os filhos serpentes. Por fim, ressaltamos que um mesmo mito pode possibilitar diferentes leituras; aqui exploramos apenas algumas interpretações possíveis, a partir da perspectiva da etnopsicanálise.</p>Marina SilvaEliane Domingues
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2026-07-222026-07-2246112114110.51356/rpp.461a8